Que vejo aqui nos ínfimos desta estrada?

Um caramujo escuro de terra e baba,
sua tentativa de atravessar e fugir de mim;
ali adiante uma lata, o que dela sobrou,
a maneira como as coisas se decompõem sem pudor,a vida;
um vôo de um pardal, outro, outro e outro
(juntos, desfazem a tela aquosa do ar, sua densidade
brava de canto engastado em si).

E longe, no horizonte, lá em sua barra sobre a dobradura
da Terra, o que meus olhos captam: o futuro em que estarei
cego para o que de exemplarmente forte saberei: criar relógios
e tomar remédios.

Hoje, 17 de maio de 1977, chove.

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