Figo da Índia

 

 

A vida dos insetos me interessa,
a mecânica sussurrada das flores,
solstícios e equinócios,
a cor das bolsas em maio,
a origem do arroz,
o nome do último faraó
e a Lolita efêmera e seu sorriso de semente.

É preciso vinho e mar, navegar
por entre as pernas e os bocejos,
sanar as mágoas, quando espinhos,
relembrar o vermelho da lua cheia
em um sábado: sangue lento no horizonte
a derramar-se de pouco em pouco, sem relógios.

Interessa-me o barro recriado de si, sua esperança,
a água mil vezes doída por entre os bichos,
as carnaubeiras mansas e rijas, o travo da fruta
agridoce: figo da Índia; Marília.

As coisas mortas não se emocionam com Jethro Tull.
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