PRIMEIRA VARIAÇÃO SOBRE A FLOR

 

 

I.

Trago um coração contemporâneo
de homens bárbaros
     sensíveis ao olho clamador
     menos que a burocracias e tratados.

Trago um coração extemporâneo
num tempo de homens márcios ―
não que nunca o tenham sido os homens,
        que sempre o foram,
mas este é um tempo particular de civilização e cólera
        (a civilização como inumania,
        a cólera perene da atrocidade).

Trago um coração
             (um músculo momentâneo ―
                                           à revelia de mim)

que pouco pode contra
decretos de guerra
ou generais de paz,
que pouco alcança em entender
das humanas desrazões
em fazer da pólvora
sua flor mais trucidia.

II.

E pouco me importa repetir
e repetir e reptir e repetir
esta horrenda flor:
                            quiça um dia,
(antes de sua abjeção
fazer-nos em podridão,
                    em podridão só),
sejamos capazes de arrancá-la do chão ―

e de toda poesia.

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O Pensador do Jardim dos Ossos
Dércio Braúna
Fortaleza Expressão Gráfica e Editora
Visite Dércio Braúna aqui
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