UMA HORA E QUARENTA E DOIS MINUTOS DEPOIS DO CREPÚSCULO

“Das Scweiggen” – Johan Heinrich Füssli

“Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .”
(Cecília Meireles)

O mundo continua vasto.
É noite nos confins e cá,
e eu, remoto sob o mormaço,
sofro a precisão de silêncios infindos.

Chove, mas não aqui.
Diz-se também que nalgum lugar
de eiras e d’oiros alguém é feliz
e canta.

Mas não aqui,
que por entre o mormaço
as tristezas são levuloses pacientes,
meu corpo o sabe e pronuncia os nomes
todos embebidos em suas rendas sôfregas.

É noite antes do cetim enluarado
e depois do fogo do absinto.

Fonte da imagem: Wikimedia Commons
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