ABRIR A JANELA

“Berglandschaft bei Sonnenaufgang mit eingezäunter Wiese” – Vincent van Gogh

“Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida ― e eu nisso demorei
meu frágil instante.”

(Herberto Helder)

Um fósforo e seu mínimo relâmpago, sua parca fúria,
que leite não é, nunca será, domingo menos ainda,
que é dia de fartura antes do sono: a vida.
A que me apego, pois, se hoje é tudo e a vida
é canção feroz e miúda, a vida humana sob as estrelas?

Somos grandes, tulipas aladas, velas a fio, com álcool,
delírios, oxitocina, carne de porco, mogno, lobos em malta:
a vida (que é pouca, quer dizer: o tempo é que é grão).

Abrir a janela e ver uma vaca e vê-la anterior a nós e diferente,
imprescindível : assim a vida seria maior.

Revolvo pensamentos e jardins e lá fora pairam
óvnis, fome, morenas, alecrins.

Fonte da imagem: Wikimedia Commons

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