“O Pato” – Beatriz Milhazes

“[…]
Entretanto, ainda estou a caminho
daqueles garranchos de chão.
Qualquer coisa que entala de branco
e machuca sem voz.”

(Joge Tufic)

 

A casa em cal antiga, seu café ruidoso, a mulher
que o prepara, o vento que desce bailarino pela
entrada do corredor: acima, à mira de vésper.

À clarabóia, os raios em fogo leve, o dourado da luz,
como se fosse um deus a lacrimejar uma nau e com sua voz
deitar a causa sem dor do instante alado: calmaria.

Antes, remotos tempos, os bois aqui pastavam em redor,
os bem-te-vis eram mais ariscos e as formigas-de-roça
viçosas com suas garras avermelhadas de arames mínimos.

(Sem hora, um cachorro de pêlos avermelhados percorre
a tarde de carnaubeiras, cajueiros e preás ligeiros).

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Créditos da imagem: Beatriz Milhazes Gravuras

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