PREGUIÇA (Nelson Ascher)

“Reencontra-se, nestes poemas, o espantoso virtuosismo técnico da coletânea anterior – O sonho da razão. Lição de João Cabral de Melo Neto, certamente; lição de rigor e de maestria poética. Muito mais do que um discípulo, contudo, e bem mais do que um simples mestre, Nelson Ascher se firma como um dos mais inteligentes, profundos e significativos poetas que o Brasil conhece.” (Marcelo Coelho, Folha de S. Paulo)

 

Algo de sol se infiltra
no quarto e, por um ápice,
embora, mais que fibra
de lã puída, esfiape-se,

ainda recalcitra,
riscando, com lápis,
que escreva um verso capci-
osíssimo, a tez vítrea

de quem permite, imersa
em si mesma, conforme
o escuro se dispersa,

que um grão de luz transforme
em pérolas e inércia
e, sem tirá-las, dorme.

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Algo de Sol
Nelson Ascher
Editora 34
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