Salmoura, flor e Maria

Winter – Alexei Savrasov

 

“Deus criou e apresentou à morte
um personagem com lírios no peito.”
(Fernando Paixão)

 

Lembro, à hora da salmoura,
o poeta que morreu sem mais
saliva enquanto o mundo dormia
um pouco de sua ira: era madrugada
e era fria.

Lembro a corda, o estampido, o risco
exato da navalha, a flora intestina em
pânico, a luz barata do tipo incandescente,
a rua e um cavalo solto (e um cachorro e
um porco), o barco ancorado
ao lado do mínimo cais de madeira
negra. O rio continua.

Lembro a música sempre em Maria,
a nesga de uma lua mal parida, escondida
sob a fronha do céu, e o mar de estrelas recolhidas
ao nuvioso, sem cantilenas, sem margaridas
debaixo.

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Créditos da imagem: Wikimedia Commons
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