NO TEMPO DE BEBER ÁGUA, SABENDO!

Inseto Mecânico – Tom Hardwidge

 

Não se diz que uma planta se equivoca, sua raiz escura
no escuro da terra, suas folhas tangidas a sol e vento,
sua presença, instante a instante, vida paciente.

Tampouco se equivoca a pedra de brio e silêncio,
ou caindo, sem termo, só caindo, e sendo. À noite, leite
de outubros seminais, a lua que repousa na língua do camaleão
não se equivoca, nem sequer de soslaio; da mesma feita,
o camaleão e seus sonhos de ocres e insetos. As cobras, mesmo
as d’água, paragens azuis ou barrentas, nunca se deparam
à consciência do equívoco. Não pactuam com a queda!

Tudo funciona: as lâmpadas breve-breves dos vaga-lumes;
o tigre amarelo e negro, ou o branco qual gelo no gelo;
o lambari e a curimatã; o mata-pasto e o carrapicho;
a abelha oropa, de igual gesto se compõe.

Qual de nós, humanos em demasia (ou em falta),
se arriscaria ao azul que um pardal gorjeia e que uma
estrela fende e depois recostura?

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Créditos da imagem: Revista Galileu
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