SEGREGAÇÃO

“Essas fantamasgorias são também as ruínas alegóricas da cidade
enquanto monumento a ser contemplado, a fantasmagoria em si:
a cidade decadente.” (Sebastião Uchoa Leite in Crítica de Ouvido, Cosac & Naify)

Passeio, sem alarde, à luz poeirenta desta rocha embriagada,
de locas e sobrados quadrados, e escuto seu coração dividido
e soberbo, noutras apenas cálido e humilhado: poça. Um bar,
o mercado do peixe, uma sorveteria, aqui morava… quem era?
Um cheiro de abacaxis açucarados invade o voar das mariposas.
Chão: pontas de cigarro; anúncios rasgados; a natureza morta.

Ando sem guarda-chuva e sem maior espanto, que meu corpo
está acostumado às ruas e à solidão da multidão: chove. Quisera
poder a cidade de antes, menos a Gotham City e mais a caramanchão.

Mas, não! Que o tempo passa e o progresso requer
automação e virtude ao aglomerado indistinto da violência.

Toco um pedra seivada de café. Adiante um disco voador.
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 Créditos da imagem: Cristais
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