Tornillo en Santiago de Compostela – Luis Miguel Bugallo Sánchez (lmbuga)

“Não há lugar para a beleza
Não há tempo
Eis a cidade com seu rosto desolado”
(Manuel Alegre)

A cidade cresceu em demasia,
perdeu-se ao meu redor
em rostos que nunca ousei,
em ruas que de mim sequer
advinham a mínima dor,
o suspiro ínfimo com o qual
habito o pouco que como,
o pouco que falo, o pouco
que insisto sobre sua fúria.

A cidade cresceu para fora de mim
e da maioria de todos, seres expulsos
da idéia, dos negócios, da política, dos planos:
amálgama restada à ferrugem e ao pó.

Ao final da tarde, pondo ao coração a desesperada
canção dos sós, carrego a boca de pedras contra o
a máquina humana enlouquecida, contra a moral
desgastada e suicida dos contadores de dinheiro
e corpos.

A cidade é um hospital em graça ardente.
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Créditos da imagem: Wikimedia Commons
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