Golinha

 

Se de graviola inalo o ar a sol e a brinquedo;
se no instante mínimo de um inseto capto
                  sua labuta de ajuntar casa e pão;
se, por um fio,
           a vida
― imensa e real ―
me pertence, é porque a meus ouvidos sinto
       Jean-Luc Ponty,
sua magia de espessa primavera.

Se me ponho algodão em capucho sob o sol;
se me pousa um golinha cheiroso a velame;
se de corrupião alcanço o siso e a beleza,
é porque estou bêbedo dessas imagens
e de suas intimidades, tudo em mim
está integrado

Em reentrâncias de namoros, hei de não doer
mais em minha sina ― por um instante!

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Créditos da imagem: Piracuruca
Escute Jean-Luc Ponty
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