CLARIDÕES E RIMAS (Dércio Braúna)

La Colometa, de Xavier Medina-Campeny, a la Plaça del Diamant, Gràcia, Barcelona

 

A vida é breve para heroísmos:
não gravemos nossos brasões
no metal que é filho da terra!,
demo-lo ao fabrico das mãos,
das mãos que, tenras, o amanham!

Amanhá-lo é dá-lo leveza
(feitio avesso ao bélico)
ungi-lo de mil contornos,
qual se à forja
diluídas lhe fossem carícias.

A vida é breve para covardias:
não edifiquemos celas ao dia!,
dexemo-lo arder em sua força viva!,
que arraste claridões e rimas!

A vida é breve sob tudo…
sobretudo, é breve…
ainda que nos peça armarmo-nos
duam ardente paciência*.

*Referência a Arthur Rimbaud em Uma Temporada no Inferno – Adeus.
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Créditos da imagem:  Wikimedia Commons
Poema de Dércio Braúna extraído de O Pensador do Jardim dos Ossos, Expressão Gráfica e Editora, 2005. Dércio é autor também de Metal sem Húmus e Como um cão que sonha a noite só, dentre outros.
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