O MUNDO COMO IDÉIA (Bruno Tolentino)

 

Suponha-se a Medusa redimida,
uma anti-Medusa que acordasse
em seu poço de estátuas face a face
com a escuridão de pedra e, arrependida,
saudosa agora do fugaz, da vida,
de tudo o que exilou, enfim tentasse
um novo olhar, o olhar da despedida,
por exemplo, o olhar do desenlace,
da resignação… Pobre coitada!
Como trazer de volta agora aquela
doce fragilidade dantes, se ela
já mal recorda a ânsia, o quase-nada,
o brilho que era o ser? A madrugada
não volta a um calabouço sem janela.

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Acima, o trecho é: Canto VIII, de O Verme, contido em O mundo como ideia, livro magnífico de Bruno Tolentino. Clique ”aqui” e confira.
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