O metal dessa plumagem
tinge as nuvens desigual.
É quando as asas abertas
(de penúria animal)
traçam a pura viagem
para o mundo sideral:
não aquele dos cometas
de avião espacial ―
tão-somente o que alimenta
seu porte transcendental.
Por isso o canto é longe,
imperceptível e dual:
trabalhando em outra fonte
(que não a original)
tem mais recursos de um onde
sem acento matinal.
Não tem poleiros na noite
nem estremece quintais
mas corta como uma foice
espírito e cabedais.
Ímã do sol, par de lua,
pelo vento fustigado ―
de todos ele se atua
na mesma matéria atados.

Telepático flutua
por sobre tantos telhados
traz informes da doçura
(de um tempo só de regalos)
dá sinais sobre a clausura,
da que estamos disfarçados.

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* Poema extraído de ”Livro de Auras” de Maria Lúcia Dal Farra.
* Leia aqui um entrevista de Maria Lúcia Dal Farra concedida a Floriano Martins: ”Maria Lúcia Dal Farra: alumbramentos da poesia”.
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