Revista “O Saco” (Carlos Emílio C. Lima)

Revista "O Saco"

A revista O Saco, que viveu seu período de esplendor entre o início de 1976 e meados de 1977, não era uma revista comum. Rompeu revolucionariamente com os modelos de publicação convencionais: não vinha grampeada, encadernada, e tinha suas folhas quase soltas acondicionadas num envelope de papel que era pendurado nas bancas de revista de todo o país como um “cordel urbano”. E, o mais que tudo, era uma revista literária que chegou a vender tão bem como as revistas de variedades comerciais. O Ceará, o mundo literário, da cultura e das artes de estado tão isolado culturalmente do resto do Brasil como é o nosso, até os dias de hoje ainda se ressente da ausência enorme da revista O Saco. Desde então nenhum revista cearense emplacou nacionalmente, teve repercussão merecida, ultrapassou fronteiras estaduais e nacionais. Ainda agora estamos dentro de um buraco cultural que a revista deixou quando parou de circular. Este vazio parece perpétuo. Nada aconteceu no campo editorial dos movimento literários por essas bandas nordestinas que chegasse perto do sucesso NACIONAL dessa revista organizada por um grupo de escritores aguerridos que eram o poeta e livreiro José Manoel Coelho Raposo, o poeta, ficcionista e psiquiatra José Jackson Coelho Sampaio; o ficcionista, advogado e missivista-mor Nilto Fernando Maciel e o escritor,poeta e professor de Literatura Carlos Emílio Corrêa Lima. A revista chegou a ser a mais popular revista literária brasileira dos anos 70, época do maior boom literário brasileiro do século XX. Quando nos referimos ao Saco tudo é superlativo. Nenhum grupo literário cearense e qualquer outra publicação cultural ou de literatura, agindo a partir desse estado da federação, nem mesmo a Padaria Espiritual – esta é a verdade -, nem o grupo Clã com sua maravilhosa e quase perene revista, teve a fama, a glória, a influência, o sucesso, a penetração e a repercussão de O Saco Cultural. Do jeito em que que estão as coisas no campo da cultura do estado, e principalmente o nenhum tratamento, o quase nenhum cuidado que a literatura está recebendo por parte de ninguém aqui no Ceará, vai ser preciso,se não enfrentarmos de uma vez por todas tão triste e ultrajante situação , mais um outro século, inteiro e total, para que algo dessa dimensão, envergadura, importância e natureza volte a acontecer.

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Carlos Emílio C. Lima é Escritor, poeta, editor, ensaísta, antidesigner, mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Ceará. Fez mestrado em literatura espanhola na Universidade de Yale (não concluido). Editor de inúmeras publicações literárias tais como a revista o Saco Cultural, a revista Cadernos Rioarte, o jornal Letras&Artes (prêmio da APCA para melhor divulgação cultural do país em 1990), a revista triangular Arraia Pajéurbe. Correpondente da revista espanhola El Passeante no Rio de Janeiro. Publicou os romances A Cachoeira das Eras, A Coluna da Clara Sarabanda (editora Moderna, 1979), Além Jericoacoara, o observador do Litoral (Nação Cariri editora,1982), Pedaços da História Mais Longe, 1997, com prefácio de José J.Veiga e apresentação de Braúlio Tavares (editora Impressões do Brasil, 1997), Maria do Monte, O romance inédito de Jorge Amado (Tear da memória editora, 2008). Ver a versão eletrônica aqui no Cronópios nesta mesma coluna Constelação de Saliva do mesmo “livro” com o título O romance inédito e esquecido de Jorge Amado na voz da velha e negra senhora, os livros de contos Ofos (Nação Cariri,1984), O romance que explodiu (editora da Universidade Federal do Ceará, 2006, com orelha de Uilcon Pereira). O livro ensaístico Virgilio Varzea: os olhos de paisagem do cineasta do Parnaso (cooedição da Editora da Fundação Cultural de Santa Catarina e da Universidade Federal do Ceará, 2002). Tem ainda inéditos os livros Culinária Venusiana (poesia), Delta do rio suspenso (ensaios), A outra forma da Ilha (contos fantásticos), Teatro submerso (dramaturgia para o fundo do mar), Solário (contos infantis). (Fonte: JAMÉ VU)

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